Por Lara Escóssia (@laraaescossia)*
Criado pela engenheira mecânica Erika Prado, o projeto Girls Like Racing já tem quase dez anos de incentivo à participação feminina no automobilismo brasileiro. Na página do Instagram, vê-se que a mobilização é clara: desde 2022, o GLR realizou seis ações de ocupação em competições oficiais com parcerias expressivas, a exemplo da Ipiranga, da Andretti e da Amattheis Motorsport. Além disso, o projeto realiza encontros de mulheres em eventos esportivos e chega a distribuir ingressos para determinadas etapas de competições, como da Stock Car e da MotoGP. Assim, a comunidade GLR está presente, desde 2022, em edições da Fórmula 1, da Fórmula E e em categorias nacionais, ampliando o acesso não somente às arquibancadas, mas também às pistas.
Ação de 2024

O projeto foi idealizado em 2018, no mesmo ano em que a F1 extinguiu a prática das Grid Girls, mulheres cujos corpos serviam de mídias alternativas para os patrocinadores (Jakubowska, 2023; Tippett, 2023). Esse marco, junto à criação de programas de inclusão, como o FIA Girls On Track, transformou a presença feminina no esporte a motor, abrindo espaços para além da objetificação. Seguindo essa onda mundial, o Girls Like Racing passou a representar, no Brasil, a força de mulheres que não se contentaram em ouvir que carro é coisa de menino. Como dizem em seu lema, “quanto mais mulheres, mais mulheres” – isto é, se, pelo menos, uma mulher conquistar seu espaço, ela será a prova de que todas poderão conquistar também. No manifesto, afirmam, ainda, que a paixão pela velocidade é o que as torna resistência, ação, o novo, e que é por meio da força e da união que o caminho se constrói junto, ao que finalizam: “Somos mulheres apaixonadas por automobilismo, e também faremos desse o nosso lugar”. Confira aqui o manifesto na íntegra.
Participantes da Ação GLR de 2024, em Interlagos, conhecendo a pilota Rafaela Ferreira

Nessa perspectiva, Prado entendeu que a mídia tem um grande potencial para a causa que defende. Com mais de 14 mil seguidores, o perfil @girlslikeracingbr, gerido por oito mulheres, divulga giros de notícias sobre mulheres no automobilismo, horários das principais competições mundiais, depoimentos de mulheres que já participaram de ações GLR, cursos de formação ministrados pela Confederação Brasileira de Automobilismo, as próximas ações, entre outros diversos tipos de conteúdo. A linguagem utilizada é de fácil compreensão, garantindo que todas tenham acesso à informação.
Apesar da dificuldade em encontrar patrocinadores, o GLR se fortalece a cada ano, apostando no Instagram para divulgar seu propósito. Para 2026, os planos seguem favoráveis: a ação deste ano, na parceria de sucesso com a Equipe AMattheis, promete levar trinta mulheres para os bastidores da Stock Car. A ação tradicionalmente consiste no reconhecimento da pista, em workshops e em conversas com pilotos, engenheiros e mecânicos. Acompanhe o perfil do Instagram e apoie a iniciativa.
REFERÊNCIAS
JAKUBOWSKA, Honorata. The Awkward Gender Politics of Formula 1 as a Promotional Space: The Issue of ‘Grid Girls’. In: The history and politics of motor racing: Lives in the fast lane. Cham: Springer International Publishing, 2023. p. 271-291.
TIPPETT, Anna. Gendered representations in motorsports and the case of the F1 grid girls: Looking back, looking forward. In: The future of motorsports. Routledge, 2023. p. 145-156.
* Esta resenha foi produzida como atividade da disciplina Comunicação, Esporte e Gênero ofertada no modelo interinstitucional (PPGCOMs da UFMG e da UFPE) no semestre 1 de 2026 pelas professoras Ana Carolina Vimieiro e Soraya Januário.

