Juliana Bandeira, a primeira mulher a narrar um jogo de futebol em TV aberta na PB

Imagem da jornalista Juliana Bandeira do Grupo Globo. Fonte: Arquivo pessoal.

Por Ana Daniella Fechine Leite*

Juliana Bandeira é jornalista esportiva e narradora, reconhecida por abrir caminhos para mulheres na narração de futebol na Paraíba. Apaixonada por esportes desde a infância, construiu sua relação com o futebol a partir de vivências familiares e da forte conexão emocional com o jogo. Antes de chegar à narração, atuou como repórter de pista e comentarista, acumulando experiência em diferentes modalidades esportivas.

Sua trajetória foi marcada por persistência, especialmente diante de episódios de desigualdade de gênero no jornalismo esportivo. Em 2024, tornou-se a primeira mulher a narrar um jogo de futebol em TV aberta, na afiliada Globo da Paraíba. O feito ocorreu na final do Campeonato Paraibano de Futebol Feminino, em João Pessoa. Atualmente, integra a equipe de esportes das TVs Cabo Branco e Paraíba, consolidando seu espaço na área. Conhecida por sua autenticidade, leva para a profissão o mesmo entusiasmo e intensidade da vida pessoal. Confira abaixo a entrevista completa com a jornalista Juliana Bandeira.

Juliana Bandeira durante transmissão para o SportV

Fonte: Arquivo Pessoal

Entrevista com a jornalista Juliana Bandeira

Quando você percebeu, pela primeira vez, que o futebol fazia parte da sua vida, não só como paixão, mas como linguagem e, depois, como profissão?

Eu comecei a perceber que o futebol fazia parte da minha vida quando eu ainda era criança. Na verdade, isso já devia estar ali por volta dos 7, 10 anos — quando a gente começa a entender o que gosta e quem é.

Nessa época, eu morava em São Paulo, capital, e, como todo paulista, era muito envolvida nos dérbis, nos grandes clássicos paulistanos, como Corinthians e Palmeiras. Principalmente porque minha mãe era palmeirense, e o namorado dela — que eu considero uma figura masculina muito importante na minha vida — também era palmeirense. 

Acho que os primeiros jogos que comecei a assistir foram do Palmeiras. Mas, como os grandes clássicos e as maiores emoções envolviam Corinthians e Palmeiras, eu comecei a ficar fascinada pela torcida do Corinthians.

Eu me lembro das sensações, dos arrepios, de como o grito da Gaviões da Fiel me fascinava. Depois, passei a acompanhar reportagens. Foi uma época em que o Corinthians foi muito vencedor, especialmente nos anos 90, com grandes craques — jogadores que, na minha visão, jogavam por amor à camisa. Eu achava isso muito bonito, muito diferente do que vemos hoje. Naquele tempo, o jogador tinha orgulho de defender o clube.

Com o tempo, fui entendendo mais sobre mim mesma e também sobre a história do clube. Comecei a estudar a Democracia Corinthiana, a importância do Sócrates e o papel social do Corinthians e da sua torcida. Um exemplo mais recente foi quando torcedores foram às BRs em São Paulo para ajudar a liberar as estradas durante a paralisação dos caminhoneiros.

Tudo isso me fez enxergar ainda mais a beleza do Corinthians para além das quatro linhas. E isso só fortaleceu a minha paixão, não só pelo clube, mas pelo futebol.

A partir daí, comecei a entender melhor o esporte. Passei a jogar — joguei futsal quando era criança, participei de peneira, entrei em time — e o futebol foi se tornando cada vez mais presente na minha vida.

A conexão com a linguagem do jornalismo e da televisão também vem desse período. Além de assistir aos jogos, eu era apaixonada pelos programas esportivos, que tinham — e ainda têm — o futebol como principal produto. As reportagens, as histórias, os personagens, as narrativas de superação… tudo isso me encantava e me emocionava tanto quanto o próprio jogo.

E tinha também a questão afetiva dentro de casa. Minha mãe palmeirense, eu corintiana… a gente discutia, brincava. Eu, quando criança, era muito intensa: já cheguei a tirar a camisa do Corinthians e jogar no lixo, depois ir lá buscar. Chorei muitas vezes assistindo aos jogos, a ponto de minha mãe dizer que não ia mais deixar eu assistir, porque eu sofria demais.

Ela se envolvia tanto com isso que, quando era Corinthians e Palmeiras, às vezes torcia pelo Corinthians — mesmo sendo palmeirense — só para não me ver sofrer. E claro, tinha a “tirada de onda” que eu fazia com ela e com o namorado dela, que eu chamava de tio.

Então existe também essa dimensão afetiva muito forte em tudo isso.

Com o tempo, o futebol acabou tomando conta da minha vida também profissionalmente. Foi o que abriu portas: comecei como repórter de pista, depois virei comentarista e, por fim, narradora.

Jornalista Juliana Bandeira durante trabalho de reportagem

Fonte: Arquivo Pessoal

Antes de ser narradora, quem era a Juliana em relação ao esporte?

Bom, antes de ser narradora — e até mesmo antes do jornalismo — a minha relação com o esporte era, acima de tudo, de paixão. O esporte sempre foi uma parte fundamental da minha vida desde muito nova, porque eu sempre estive envolvida com a prática esportiva, tanto na escola quanto fora dela, experimentando as mais diversas modalidades.

Eu sempre fui muito curiosa para conhecer esportes diferentes. Então, na escola, pratiquei de tudo: polo aquático, xadrez, capoeira, vôlei, basquete, natação, além dos esportes mais convencionais como futsal e futebol. E, conforme fui crescendo, o esporte também passou a ser um lugar onde eu canalizava as minhas frustrações da adolescência.

Eu sofri muito bullying quando era criança por conta do meu sobrepeso, então o esporte também virou uma forma de resposta — inclusive estética. A partir dos 12, 14 anos, comecei a fazer musculação e, desde então, nunca mais parei. Mantive uma rotina muito consistente até os 23, 25 anos, treinando praticamente todos os dias, de duas a três horas por dia, no mínimo.

Ao longo da adolescência, continuei experimentando outras modalidades: artes marciais diversas, como MMA, jiu-jitsu e judô, além de boxe, muay thai, escalada, tiro com arco. Foram muitas experiências. E essa troca constante tinha um propósito: me manter estimulada, não deixar de praticar esporte.

Isso tudo me permitiu conhecer diferentes modalidades e ter uma vivência real em cada uma delas. E, mais tarde, isso se tornou fundamental para a minha profissão, porque eu consigo comentar e analisar esportes com base nessa experiência prática — conhecendo regras, dinâmicas e bastidores.

Quando comecei no jornalismo esportivo, fui direto para o caderno de esportes, que era basicamente voltado ao futebol. Na época, era jornalismo impresso. E, logo no início, acabei sendo vítima de violência de gênero dentro da redação. Meu chefe me colocou na última página do caderno, sob a justificativa de que eu não sabia escrever sobre futebol.

Essa última página era a menos lida e reunia justamente as pautas consideradas menos importantes — que eram, na maioria das vezes, sobre outros esportes. Mas foi justamente ali que eu encontrei uma oportunidade. Era um espaço que eu dominava, por conta de toda a minha vivência como atleta amadora. Eu tinha contatos, repertório, entendimento — e consegui produzir matérias mais profundas, fugindo da superficialidade.

A partir daí, começaram a surgir oportunidades fora do impresso, especialmente na televisão. Um dos meus chefes tinha um programa esportivo e precisava justamente de conteúdo que não fosse futebol. E eu sempre tinha pautas, ideias, contatos. Isso me levou a produzir, depois editar, e, mais adiante, chegar à TV aberta, em uma afiliada da Record.

Antes de ser narradora, o esporte era, para mim, paixão, terapia e necessidade de vivência. Como filha única, eu encontrava no esporte uma forma de fazer amigos, criar vínculos e ocupar meu tempo.

Com o jornalismo, isso também se tornou um ofício. E, durante muito tempo, meu foco esteve nos chamados esportes “amadores”, com um desejo muito claro de dar visibilidade a essas modalidades e mostrar que o esporte vai muito além do futebol.

Mas a vida trouxe novos caminhos. Eu já atuava no jornalismo esportivo, trabalhando com futebol como repórter de pista e comentarista — principalmente no futebol feminino —, quando surgiu o desafio de me tornar narradora.

A partir daí, o futebol deixou de ser apenas paixão e passou a ser também responsabilidade profissional. Hoje, eu assisto aos jogos com outro olhar: não mais como torcedora, mas como alguém que precisa observar detalhes, aprimorar vocabulário, entender profundamente as regras, as interpretações e as nuances de uma transmissão. O olhar mudou completamente. Hoje, eu assisto futebol como narradora.

Teve alguém que te fez acreditar que esse caminho era possível, ou você precisou construir isso sozinha?

Várias pessoas me fizeram acreditar que isso era possível. Acho que, ainda criança e adolescente, quando escolhi fazer jornalismo, já tinha muito claro que seria por conta do esporte. A ideia sempre foi essa: fazer jornalismo esportivo. 

E muito disso veio da influência de profissionais como Dani Monteiro, Glenda Kozlowski e Cris Dias, que eram jornalistas da minha época e faziam programas como Globo Esporte e Esporte Espetacular — dois produtos que foram fundamentais na minha formação.

Eu via principalmente a Dani Monteiro e a Cris Dias, que faziam reportagens sobre outras modalidades e se colocavam dentro das experiências, vivenciando os esportes. Era exatamente aquilo que eu queria fazer: um jornalismo esportivo com uma linguagem mais informal, tanto na estética quanto na fala, me colocando também como personagem das pautas, levando o telespectador a viver aquilo junto comigo.

Porque o conselho até incentiva, mas é o exemplo que arrasta. Quando você se coloca no lugar do personagem e transmite as dores, as dificuldades, as emoções e as alegrias de um atleta, você faz com que o telespectador se identifique. Ele passa a sentir tudo aquilo através de alguém que também não é atleta.

Essas jornalistas me faziam sonhar. Eu pensava: “quero ser assim, quero fazer isso”. Elas pavimentaram esse caminho dentro de mim.

Na prática, quem ajudou a transformar isso em realidade foram, principalmente, meus chefes — em sua maioria homens. Muitos deles demoraram a me ouvir, mas, ainda assim, me deram oportunidades, pequenas e grandes, que eu sempre abracei com todas as minhas forças, fazendo o meu melhor para ampliar cada uma delas.

Eu devo muito ao meu primeiro editor, Ivo Marques, que me acolheu na primeira equipe de um núcleo de esporte no Sistema Correio de Comunicação. Depois, a Silvio Osias — indicação do próprio Ivo —, que também abriu portas para a TV aberta.

Mais tarde, vieram chefes mulheres, que compreendiam esse amor pelo esporte e essa vocação para o jornalismo esportivo. Mesmo quando eu estava no jornalismo geral, elas me davam oportunidades de atuar no esporte, seja em reportagens ou na edição de programas.

E não posso deixar de citar Expedito Madruga, que é meu chefe até hoje. Mesmo quando eu ainda atuava no jornalismo geral, ele me deu a oportunidade de integrar a equipe do Globo Esporte, que sempre foi um sonho para mim.

A partir daí, vieram várias oportunidades: fui repórter do Globo Esporte, apresentei o bloco de esportes do Bom Dia Paraíba, apresentei o próprio Globo Esporte, fui repórter em transmissões do SporTV — outro grande sonho —, voltei a atuar como comentarista de futebol e, por fim, recebi o desafio de me tornar narradora.

Foi também com o apoio dele e da empresa, da TV Cabo Branco, que me tornei a primeira mulher a narrar um jogo de futebol em TV aberta na Paraíba.

Então, ao mesmo tempo em que tive grandes mulheres me inspirando, tive homens que abriram portas para mim. E, apesar de ter enfrentado — e ainda enfrentar — situações de violência de gênero, às vezes sutis, às vezes explícitas, eu reconheço que, sem essas oportunidades, talvez eu não tivesse chegado até aqui.

O que você sentiu quando recebeu a notícia de que narraria sua primeira partida na TV aberta?

Eu senti muito medo. Na verdade, é um medo que eu confesso que ainda sinto — talvez não tão intenso quanto antes, mas que ainda existe.

Medo de errar, de fracassar, de fazer com que as pessoas recuem nas oportunidades — não só para mim, mas também para outras que poderiam vir depois, caso eu não correspondesse. Eu realmente não achava que estava preparada para a minha primeira narração em TV aberta. Não tenho problema nenhum em dizer isso.

Mesmo com meu chefe e as pessoas ao meu redor afirmando que eu só estava recebendo aquela oportunidade porque estava pronta, eu não acreditava. E, sendo bem sincera, às vezes ainda não acredito.

Eu acho que sou a minha maior crítica, o meu maior algoz. Minha mãe dizia isso desde muito cedo: que o meu maior inimigo seria eu mesma. E hoje eu entendo perfeitamente o que ela queria dizer.

Eu já recebi críticas pesadas sobre minhas atuações como narradora, mas nenhuma foi tão dura quanto aquela que vem da minha própria cabeça. Eu me digo coisas muito difíceis depois de cada narração. Mesmo quando eu gosto do que fiz, mesmo quando não enxergo erros claros, ainda assim me cobro de uma forma muito intensa.

O meu chefe atual, inclusive, fala muito sobre isso. Ele acredita muito mais em mim do que eu mesma acredito.

Então, o que eu senti foi isso: medo — e um peso enorme de responsabilidade. Era como se houvesse um caminhão nas minhas costas.

E, quando a narração finalmente aconteceu — e aconteceu da melhor forma possível, dentro da dimensão que aquilo tinha —, a sensação foi exatamente a de um caminhão sendo retirado de cima de mim.

Sem sombra de dúvidas, narrar em TV aberta foi o maior desafio profissional da minha carreira. Disso eu não tenho dúvida.

O que significa ser a primeira mulher a narrar um jogo nesse espaço?

Eu acho que as pessoas passaram a ter um pouco mais de respeito pelo meu trabalho a partir do momento em que eu passei a ter esse marco no currículo. Existe um olhar de “talvez ela realmente saiba do que está falando”, até porque não existem muitas mulheres nesse espaço. Então, se eu estou ali, pode ser que eu tenha condições e mereça estar — que não seja só sorte.

Por outro lado, também existe o oposto. Ainda vejo pessoas que olham com desconfiança, até com certo desdém. Como se não acreditassem que eu possa ser, de fato, a primeira narradora na TV aberta. Como se eu não tivesse capacidade para isso, como se tivesse chegado ali por acaso ou por algum outro motivo que não o mérito.

Na prática, eu sinto esses dois movimentos acontecendo ao mesmo tempo. De um lado, mais credibilidade. De outro, mais dúvidas.

E eu entendo que isso também passa pelo fato de que a minha narração ainda está em construção. Está longe de ser perfeita. Eu sei que tenho falhas, que ainda não tenho um vocabulário tão amplo, nem a fluidez de narradores mais experientes, como a Renata Silveira ou o Luiz Roberto.

Como o público já está acostumado com esse nível mais alto, muitas vezes pode me enxergar como “abaixo” desse padrão — o que, em alguns casos, acaba gerando dúvidas não só sobre a minha narração, mas sobre outras áreas do meu trabalho também.

Então, sim, acho que essas duas coisas coexistem: mais respeito e mais questionamento ao mesmo tempo.

Juliana Bandeira é jornalista, repórter, apresentadora e narradora

Fonte: Arquivo Pessoal

Em algum momento isso pesou mais como responsabilidade do que como conquista?

Dois anos depois da minha primeira narração em TV aberta, hoje eu já consigo sentir mais como uma conquista. Mas, por muito tempo — e, de certa forma, isso ainda existe —, o sentimento foi muito mais de responsabilidade do que de realização.

Logo depois que aconteceu, a ficha simplesmente não caiu. E, sendo muito sincera, até hoje eu não sei se caiu completamente. Eu ainda não consigo mensurar o tamanho disso. Às vezes parece algo absolutamente comum, como se fosse uma coisa corriqueira, sem a dimensão histórica que, no fundo, eu sei que tem.

Porque tem, né? Isso fica. Isso entra para a história. Daqui a muitos anos, se alguém perguntar quem foi a primeira mulher a narrar um jogo na TV aberta na Paraíba, o meu nome vai estar lá. De alguma forma, eu faço parte da história da televisão e do jornalismo esportivo paraibano.

Mas, mesmo dizendo isso em voz alta, eu ainda não consigo dimensionar de verdade o que isso representa.

No começo, o que pesava era outra coisa: o medo de errar. Era uma pressão constante. Eu pensava o tempo todo: “eu não posso errar”. Não posso envergonhar outras mulheres que querem seguir esse caminho, não posso fechar portas, não posso comprometer a confiança que depositaram em mim, não posso ser uma decepção para a empresa.

Era esse o pensamento antes de narrar. E, logo depois, vinha um alívio enorme: “ainda bem que eu não prejudiquei ninguém, ainda bem que eu não atrapalhei o caminho de quem vem depois”. Esse era o sentimento dominante.

Hoje, quando eu falo sobre isso, eu começo a entender um pouco mais a importância do que aconteceu. Mas dizer que eu realmente compreendo a dimensão, o impacto, o tamanho disso tudo… não. Essa ficha ainda não caiu completamente.

Como você enxerga o espaço feminino hoje dentro do jornalismo esportivo?

Nos grandes centros, o papel da mulher no jornalismo esportivo já avançou bastante. Em algumas redações, a presença feminina se aproxima de algo mais equilibrado. Mas, quando a gente olha para realidades como a de João Pessoa e de outras cidades da Paraíba, a desigualdade ainda é muito evidente.

Os espaços continuam majoritariamente ocupados por homens — nas redações, nos cargos de decisão e, principalmente, nos lugares de maior visibilidade.

Na redação em que eu atuo, por exemplo, até o início do ano éramos duas mulheres. Depois, com a saída de uma colega em licença-maternidade, eu passei a ser a única mulher no jornalismo esportivo da afiliada em João Pessoa. Em Campina Grande, havia também uma única mulher. Ou seja, uma em cada praça.

Hoje, eu sigo sendo a única mulher contratada, efetiva, atuando como repórter no jornalismo esportivo. Temos uma estagiária, mas, ainda assim, é muito pouco — especialmente considerando que estamos falando do principal veículo de jornalismo esportivo do estado.

Quando a gente olha para outros veículos, o cenário se repete: há presença feminina, sim, mas quase sempre limitada a uma única profissional por redação. Isso mostra que ainda estamos muito longe de uma distribuição mais equilibrada.

Ao mesmo tempo, tentando ver o copo meio cheio, já houve momentos em que não havia nenhuma mulher nesses espaços. Então, de certa forma, houve avanço — ainda que pequeno.

E isso acaba trazendo uma responsabilidade enorme para quem está dentro. Porque, em um cenário com tão poucas mulheres, qualquer erro parece ganhar um peso maior, como se pudesse impactar não só a trajetória individual, mas também a abertura de espaço para outras que virão depois.

Talvez seja justamente esse contexto que tenha alimentado tanto o meu medo de errar: a sensação de que não é só sobre mim, mas sobre o caminho que ainda precisa ser ampliado para outras mulheres no jornalismo esportivo.

Que caminhos você ainda quer trilhar dentro do jornalismo esportivo?

Eu quero muito ter mais oportunidades na rede, claro, na Rede Globo. Como repórter de uma afiliada aqui na Paraíba, eu enxergo a rede como um caminho possível — seguir participando de transmissões nacionais com mais frequência, ganhando espaço e, quem sabe, me consolidando como uma referência nas narrações e transmissões do Nordeste.

O meu grande sonho hoje é estar, de alguma forma, nas transmissões da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027. Seja como repórter, produtora, narradora — independentemente da função —, eu quero fazer parte disso.

A gente vai ter jogos relativamente perto, em Recife, que fica a poucas horas daqui, o que aumenta ainda mais essa possibilidade. Um evento desse tamanho exige muitos profissionais, muitas frentes de trabalho, e isso abre portas.

Então, sem dúvida, esse é o objetivo que eu tenho hoje: estar lá, vivendo de dentro um momento histórico como esse.

* Ana Daniella é Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Esta resenha foi produzida como atividade da disciplina Comunicação, Esporte e Gênero ofertada no modelo interinstitucional (PPGCOMs da UFMG e da UFPE) no semestre 1 de 2026 pelas professoras Ana Carolina Vimieiro e Soraya Januário.

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