Por Júlia Neres e Mariana Braz*
Atualmente, os patrocínios no futebol brasileiro vem sendo cada vez mais questionados, seja por meio de discussões que englobam os altos valores envolvidos, as questões éticas dos clubes e o que o time quer transmitir aos seus torcedores. Desde 2022, estamos presenciando frequentemente no futebol a aparição polêmica da Fatal Model, um site que conecta acompanhantes a clientes em todo o país.
A marca foi fundada por Samuel Ongaratto, que também é o diretor de negócios da marca, no ano de 2016 em Pelotas, no Rio Grande do Sul, com o propósito de organizar a profissão mais antiga do mundo, com os pilares de realizar isto com muito “respeito, dedicação e qualidade”. Já nos dias de hoje, a marca se consolida como a mais completa plataforma de anúncios para acompanhantes do Brasil.
Em entrevista para a Revista Veja, Samuel afirmou que foi difícil conseguir entrar para o mundo do futebol, pois no Brasil a profissão de acompanhante ainda é um tabu. Além disso, ele acrescentou que fizeram um “trabalho de formiguinha” em times pequenos até chegarem no EC Vitória, que atualmente joga na Série A.
Ainda em 2023, no início da inserção da marca no futebol, o site recebia em média 26 milhões de usuários por mês, movimentando dinheiro por meio de assinaturas de usuários. Após a inserção, a diretoria da marca informou em entrevistas que os acessos aos sites subiram para 62 milhões e o número de acompanhantes cadastradas subiu cerca de 5 mil.
A presença da Fatal Model no esporte desde seu início vem sendo polêmica nos veículos de mídia e entre os torcedores, gerando diversas discussões nas redes sociais. Mas por que a marca escolheu o futebol brasileiro? Como isso reflete e amplia as pautas sociais no esporte? Será que os pilares da marca de “respeito, segurança e dignidade” estão realmente sendo aplicados no lugar certo?
Chegada da marca no futebol brasileiro
Mesmo com quase 10 anos de existência, a primeira aparição da Fatal Model no futebol brasileiro foi em 2022, quando a marca incluiu faixas de publicidade em estádios nos jogos do Campeonato Brasileiro do ano.

Fonte: Divulgação/Fatal Models – O Globo
Desde então, a Fatal Model vem expandindo suas parcerias no futebol brasileiro, sendo destaque em manchetes de sites de notícias e polêmicas nas redes sociais. Em 2023, a marca iniciou efetivamente o patrocínio em times de futebol, estampando camisas, partidas e redes sociais dos clubes.
Um destaque é o patrocínio ao Esporte Clube Vitória, time de Salvador – BA, que foi o primeiro time a anunciar a Fatal Model como patrocinadora em fevereiro de 2023. Inicialmente, o patrocínio ficava apenas nas mangas da camisa do time, mas após seis meses de patrocínio foi anunciada a expansão para a parte frontal da camisa. Confira o anúncio de aumento de patrocínio, que foi estrelado por Vampeta:
Ainda em 2023, quando a marca estava se fixando no futebol, a Fatal Model foi a maior patrocinadora da Série B do Campeonato Brasileiro, patrocinando um total de oito clubes da divisão na época. Com esses patrocínios, a marca informou um crescimento de 124% de faturamento em um ano, e também um aumento de 20 milhões de visitas, segundo a ferramenta de marketing e tráfego pago SemRush.
Em 2024, quando o EC Vitória subiu para a primeira divisão, o site de acompanhantes estreou seu patrocínio em um time da Série A do Brasileirão. No mesmo ano, a Fatal Model se destacou como uma das maiores patrocinadoras do futebol brasileiro, com parcerias estratégicas em clubes de todas as regiões do país, marcando presença em mais de 600 jogos das Séries A e B.
Desde então, a marca vem taticamente se inserindo nos clubes, visando se aproximar da torcida por meio de ações em união com seus parceiros e aparições na mídia, sempre com o discurso de propagar o respeito, segurança e dignidade à profissão de acompanhante.
Por que a escolha do futebol?
A Fatal Model chegou no futebol brasileiro apresentando um alto investimento financeiro, com patrocínios avaliados em milhões de reais para estampar suas borboletas ao lado dos clubes do país. Desde o início, esses valores e as propostas da marca roubam a atenção do público.
Por exemplo, a marca já ofereceu 200 milhões de reais ao EC Vitória pela compra de seus direitos de nome, o que alteraria o nome do clube para “Fatal Model Vitória”. A alteração, contudo, foi negada após votação dos torcedores do time, que consideraram a ação um exagero.
Em outra tentativa de aproximação aos torcedores brasileiros, a marca doou R$200 mil para a vaquinha promovida pelo Sport Club Corinthians para pagar a dívida do clube com a Neo Química Arena, que foi a terceira maior doação recebida pela campanha. Ainda com a grande doação, a marca não teve nenhum patrocínio fechado com o clube até o momento.
Mesmo com grandes ações, tentativas de se aproximar dos torcedores e um discurso que remete o patrocínio ao desenvolvimento dos clubes, a Fatal Model continua sendo contestada pelo público. As escolhas dos clubes intrigam os torcedores, que questionam como esse tipo de serviço se relaciona diretamente com o futebol e onde se encontram os benefícios que não são monetários. A resposta ainda é um mistério, o que polemiza ainda mais o argumento de que os times perdem seus verdadeiros valores por grandes quantias de dinheiro.
Por outro lado, a diretoria da marca afirma que os investimentos em futebol não teriam razões propriamente monetárias, mas sim institucionais e até sociais:
“A Fatal Model entende que há um grande público que precisa ser educado sobre respeito aos profissionais do sexo, por isso é lá que o Fatal Model decidiu propagar seus valores. Além disso, com as portas abertas para estar na rede de televisão aberta, mais pessoas podem conhecer sobre a marca e seus valores, dando visibilidade para os profissionais anunciantes e também captando contratantes mais alinhados ao propósito de respeito da plataforma. No futebol, temos a oportunidade de ‘conversar’ com este grande público e educá-los sobre respeito, segurança e dignidade”
O futebol realmente é um espaço muito amplo e com um grande público, o que reflete em uma propagação em massa de publicidades em pessoas de todas idades e classes sociais. Seria esse realmente o lugar certo para “educar o publico” sobre “respeito aos profissionais do sexo”?
Em um episódio do podcast Sports Market Makers, Erich Beting, CEO da Máquina do Esporte, afirma que acha errado o patrocínio da marca no futebol brasileiro:
“Eu não gosto, eu acho que tá errado. O futebol brasileiro conversa com todas as classes sociais, todas as idades e todos os públicos, você tem que tomar cuidado com quem você está se juntando. O futebol brasileiro não entende o poder de marca que ele tem, os clubes precisariam se colocar em uma posição de não topar tudo por dinheiro, e sim de encontrar o parceiro que te valorize e que seja de tanto valor quanto.”
Por esse e outros motivos, o patrocínio causa preocupação e revolta aos torcedores, que são frequentemente expostos a esse tipo de informação e começam a questionar se os valores citados pela marca de “respeito, segurança e dignidade” estão sendo realmente propagados no lugar e da forma certa.
Expansão do patrocínio ao futebol feminino
Durante muito tempo na história, a mulher foi negada em diversos espaços, e até mesmo a direitos que, somente após muita luta e resistência, foram garantidos. Quando olhamos para a esfera do esporte, não encontramos um cenário muito diferente. Em um Decreto-Lei de 14 de abril de 1941, as mulheres foram vetadas de práticas esportivas, como o futebol. No entanto, a participação feminina sempre existiu, seja como torcedora, praticante, comentando entre amigos ou trabalhando na área.
Para além de proibições, a imagem da mulher em práticas esportivas por muito tempo era representada apenas de maneira seuxalizada, corroborando para discursos sexistas e estereótipos, o que hoje, apesar de estar mais diluído, ainda é muito reproduzido pela mídia sob um novo olhar, trazendo perspectivas mais mercadológicas da figura feminina no meio esportivo, seja em reportagens, capas e campanhas ou por meio de publicidades e patrocínios.
A Fatal Model é, atualmente, a principal patrocinadora da série B no futebol brasileiro. Patrocinando cerca de sete times masculinos, neste ano de 2025 a empresa estendeu o seu contrato com o Vitória para além da equipe masculina, sendo a patrocinadora máster das leoas rubro-negras durante a temporada deste ano.
A parceria com a equipe feminina é tida como “fundamental” por parte de Fábio Mota, presidente do time, como destacou em entrevista:
“É de grande satisfação anunciar a Fatal Model como patrocinadora do futebol feminino do clube. Esta parceria será muito importante para impulsionar nossas leoas rubro-negras na temporada de 2025, sendo uma aliada fundamental na disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. Reafirmamos nosso compromisso de fortalecer a marca do Vitória e proporcionar, junto aos nossos parceiros, um ano de crescimento para todos”
Até o momento, as leoas rubro-negras são a única parceria anunciada da empresa com o futebol feminino e, apesar da importância da relação para o campeonato, existe uma linha tênue entre a marca patrocinadora e a equipe feminina que deve ser questionada: até onde vai o limite dessa parceria, inclusive, quais são as relações simbólicas que se estabelecem no imaginário torcedor quando um time de mulheres é patrocinado por uma empresa como a Fatal Model?
As mulheres do futebol historicamente enfrentaram e ainda enfrentam dificuldades para serem reconhecidas e valorizadas. É uma luta que se mantém durante décadas até os dias atuais e, por mais que tenhamos um avanço significativo, ainda precisamos lutar por direitos básicos de respeito como jogadoras, comentaristas ou torcedoras.
A Fatal Model, enquanto um site de anúncios de acompanhantes, em diversas entrevistas faz questão de reforçar que a profissão é regularizada e que seus pilares estão baseados em respeito e dignidade para todas essas pessoas que estão na plataforma fornecendo serviços mas, até onde a inserção da marca no futebol feminino o atrela a ideias que desvalorizam a modalidade e reafirmam estereótipos contra os quais ela vem lutando sistematicamente?
Mesmo em pouco tempo de parceria já é notório comentários do público que ferem essas atletas, desrespeitando essas mulheres e indiretamente ofendendo aquelas que fornecem trabalho na plataforma também. No Instagram, como indica a imagem abaixo, podemos ver um exemplo de como esse patrocínio, apesar de benéfico para o campeonato, pode ser prejudicial para a imagem das atletas, que tem a integridade ferida por parte de um público preconceituoso, que utiliza da internet como um meio de direcionar ataques de ódio à grupos sociais minoritários, nesse caso, mulheres do futebol.

Como a marca se manifesta nos perfis dos clubes
Grande parte da repercussão dos patrocínios da Fatal Model em clubes, tanto do futebol masculino quanto feminino, vem de reportagens e publicações de outras páginas de notícias e de fãs de futebol. Já os clubes em si apresentam um comportamento diferente após a grande publicação de anúncio do patrocínio.
Diversos clubes que já foram ou são atualmente patrocinados pelo site de acompanhantes realizam poucas publicações com o que de fato é o seu patrocinador. Nos vídeos de anúncios do patrocínio publicados pelos clubes, percebemos uma conduta em comum: as palavras-chave da marca, que são “respeito, segurança e dignidade”, são frequentemente utilizadas para propagar como os clubes necessitam dessas características ao lado da Fatal Model, sem deixar explícito o que de fato é o site de acompanhantes.
Mas por que deixar por baixo dos holofotes o real motivo pelo qual estão pedindo respeito e dignidade? Muitas questões vêm à tona na mídia quando se fala do patrocínio, surgindo inúmeras polêmicas, críticas da torcida e questionamentos aos clubes.
Ao analisar publicações dos clubes parceiros da Fatal Model, conseguimos observar os dois lados da moeda: clubes que deixam o patrocínio minimamente aparente em seus perfis, com logos pequenas e menções em legendas. E clubes que citam a parceria como motivo de orgulho, deixando claro ao seu torcedor o que está sendo propagado.
Como exemplo de publicação que contém esse patrocínio não escancarado, temos o Clube de Regatas Brasil (CRB), time alagoano que já foi patrocinado pela marca. No dia das mulheres, o time em parceria com a Fatal Model realizou uma publicação que continha apenas o logo da marca e citou ela na legenda, sem se estender sobre a patrocinadora:
Além do CRB, outros clubes como o ABC Futebol Clube e a Ponte Preta já receberam esse patrocínio e não fizeram grandes publicações, deixando apenas a polêmica borboleta em sua camisa e redes sociais, sem muitas movimentações na mídia. O que nos faz refletir sobre o posicionamento desses clubes: seria mesmo uma tentativa de “esconder” o patrocínio da Fatal Model?
Por outro lado, existem times que fazem da parceria seu destaque, desenvolvendo ações afortunadas ao lado da marca e buscando envolver cada vez mais seus torcedores. Como é o caso do Esporte Clube Vitória, o primeiro clube brasileiro patrocinado pelo site de acompanhantes e que segue há mais de dois anos com a parceria.
Mas as ações do time em parceria com a Fatal Model dão o que falar nos veículos de notícias. O clube buscou a participação da torcida até na hora de decidir os detalhes de seu patrocínio, incluindo seus torcedores através do site https://fatalmodelvitoria.com. Além disso, já sortearam um carro zero km para os torcedores que publicaram uma foto com os requisitos propostos, disponibilizou descontos nos pacotes de assinatura para os sócios torcedores, entre outras ações.
Mesmo o patrocínio sendo escancarado ou não escancarado, não podemos deixar de falar que os impactos na torcida surgem em consequência das ações de seus clubes. Ao analisar as redes sociais de clubes patrocinados pelo site de acompanhantes, é possível observar diferentes reações da torcida, que vão de indignações até mesmo comentários com mensagens de assédio.
Reações e consequências no público que consome futebol
No mundo do futebol, podemos observar o ditado “toda ação tem uma reação” entrando em cena o tempo todo. Os torcedores se sentem parte de seus times e sofrem pelo reflexo das ações das equipes, ou seja, sempre que o clube realiza algo, seja uma contratação, parceria, ou qualquer feito que influencie no time, a torcida busca encontrar sentido no ocorrido, explorando como isso impacta a equipe e quais benefícios isso traz dentro do esporte.
Ao observar como a marca se manifesta nos perfis do clube que patrocina, é perceptível que ao tentar mascarar o patrocínio da Fatal Model, os times acabam gerando objeção em seus torcedores, que não sabem exatamente o que é a marca e vão pesquisar. Essas investigações da torcida geram indignação e incômodo ao ver a parceria de seu clube, tendo em vista que esse público honra os valores éticos do clube e se preocupa com todos que consomem o esporte, inclusive as crianças.
Nesse contexto, podemos analisar a manifestação dos torcedores nas redes sociais dos clubes. Uma ação que chamou a atenção dos torcedores do EC Vitória e deu o que falar na mídia foi o pronunciamento do time no Dia da Acompanhante, em junho deste ano. Na rede social X (antigo Twitter), foi publicado um breve texto sobre a data e como a Fatal Model incentiva um ambiente mais respeitoso:
Além disso, o clube publicou em seu instagram dados sobre os profissionais que são acompanhantes no Brasil, trazendo estatísticas sobre a profissão e a movimentação do mercado do sexo.
O EC Vitória é um exemplo de como as ações do time causam reações negativas nos torcedores, que se pronunciam publicamente, como no comentário acima: “Ninguém liga. Essa parceria só é boa pra essa empresa”. Ao investigar sobre os benefícios da parceria, a torcida se frustra buscando entender a motivação além do poder monetário, e se manifesta por meio de comentários negativos nas redes do clube, como por exemplo:



De maneira geral, é perceptível uma reação de desaprovação dos torcedores em relação ao patrocínio escancarado e as publicações sobre o Dia da Acompanhante, que demonstram insatisfação à exposição da Fatal Model dessa forma no clube, principalmente em produtos e transmissões onde torcedores de todas as idades acessam.
Com a falta de motivos que alavancam de fato o futebol dos jogadores em campo, os torcedores questionam cada vez mais esse tipo de patrocínio no marketing esportivo. Mesmo que envolva uma grande quantia de dinheiro que pode abrir portas para os clubes, os valores éticos e sociais pesam mais para quem veste a camisa.
Conclusão
Ao levar como um fator extremamente importante o público do futebol, que consiste em torcedoras e torcedores de todas as classes sociais, idades e estilos de vida, a inserção de patrocínios polêmicos como a Fatal Model no marketing esportivo vem se tornando cada vez mais questionável entre a mídia e a torcida.
A necessidade do futebol brasileiro reconhecer seu grande poder de influência se mostra cada vez mais evidente, impulsionando a importância das discussões do que é ou não benéfico de ser divulgado nesta enorme e influente escala, que impacta os jogadores, os torcedores e a imagem do clube dentro e fora de campo, que acabam sendo vistos como reflexo ou até mesmo alimentadores do patrocínio.
Com isso, ao analisar o posicionamento dos clubes patrocinados pela marca nos seus perfis em redes sociais e blogs, é perceptível um comportamento que consiste em uma tentativa de “mascarar” o que é a Fatal Model, não apresentando de fato aos torcedores o que é o site de acompanhantes.
Conforme citado nessa análise, as palavras “respeito, segurança e dignidade” estão por toda parte ao lado da logo da marca. As parcerias prezam muito por esses valores ao falar sobre as profissionais do sexo e propagar essa mensagem em seus patrocínios, mas é importante refletir como eles estão sendo interpretados no futebol.
Reforçando a discussão também no âmbito do futebol feminino, que recentemente recebeu o patrocínio da marca, é possível refletir se o respeito, a segurança e a dignidade das jogadoras estão sendo considerados ao colocá-las como rostos do patrocínio do site de acompanhantes, ou se esses valores são atribuídos apenas às profissionais do Fatal Model.
Como visto anteriormente na análise, algumas jogadoras do Vitória foram tratadas com falta de respeito por parte de torcedores homens que, historicamente, apesar de ter uma aceitação maior nos dias atuais, sabemos que ainda enfrentam dificuldades por parte desse público, que utilizará desses patrocínios como mais uma forma de fazer ataques às atletas mulheres.
Faz-se necessário então, refletir e questionar sobre o papel da Fatal Model, e das equipes femininas de futebol, sobre as suas movimentações quanto a campanhas de respeito, segurança e dignidade das jogadoras, que também devem ser atribuídas a campanhas que reconheçam e valorizem seus trabalhos e lutem por esse espaço.
É possível também refletirmos acerca das condições desses times que, em diversas entrevistas, a parceira foi colocada como fundamental para o campeonato, tornando a empresa uma das patrocinadoras masters dos times, além de caminhar para ser o principal patrocinador das categorias.
Dentro e fora de campo, a manifestação dos clubes ao lado da Fatal Model preocupa os torcedores e gera diversas dúvidas do porquê ele está ali, suas consequências para quem consome essas publicidades, como isso influencia o futebol jogado no campo e se esse real interesse dos clubes existe ao olhar além da grande quantidade de dinheiro envolvida.
Por fim, essa análise conclui que mesmo que o site de acompanhantes reforce que seus objetivos no futebol estejam relacionados ao esporte servir como um canal para promover mensagens importantes e mostrar que o mercado adulto pode, sim, ser seguro, respeitável e bem estruturado, é necessário tomar muito cuidado ao falar sobre os profissionais do sexo em um ambiente livre para todas as idades e que abrange um público tão grande.
Dessa forma, a depreciação vinda da torcida e da mídia ao patrocínio da Fatal Model no futebol brasileiro está diretamente relacionado às motivações sociais e valores éticos do público, que não vê sentido em um site desse nicho estar em uma esfera tão popular, onde estão presentes famílias que tem filhos, possuindo valores diferentes dos que são frutos do mercado do sexo e que não querem relacionar o ato de torcer para o seu time do coração com estar, de certa forma, apoiando os negócios de acompanhantes.
REFERÊNCIAS
BRAUN, Julia. Fatal Model: plataformas de acompanhantes podem patrocinar clubes de futebol?. BBC Brasil, 2024. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg48dd84rvo
MONTEIRO, Duda. ‘Não somos cafetões virtuais’, diz Samuel Ongaratto, fundador da Fatal Model. Revista Veja, 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/esporte/nao-somos-cafetoes-virtuais-diz-samuel-ongaratto-fundador-da-fatal-model/
BONFIM, Marcos. Conheça a gaúcha Fatal Model, um negócio ‘sexy’ de R$ 85 milhões cada vez mais presente no futebol. Exame, 2024 Disponível em: https://exame.com/negocios/quem-comanda-a-fatal-model-um-negocio-de-r-85-milhoes-cada-vez-mais-presente-no-futebol/
Redação Máquina do Esporte. Fatal Model faz patrocínio pontual ao Remo para reforçar suposto desejo nos naming rights da arena do Athletico-PR. Máquina do Esporte, 2024. Disponível em: https://maquinadoesporte.com.br/futebol/fatal-model-patrocina-remo-para-reforcar-suposto-desejo-em-naming-rights-da-arena-do-athletico-pr/
Redação Máquina do Esporte. Com discurso empoderado, Fatal Model domina Série B e sonha com elite do Brasileirão. Máquina do Esporte, 2023. Disponível em: https://maquinadoesporte.com.br/futebol/com-discurso-empoderado-fatal-model-domina-serie-b-e-sonha-com-elite-do-brasileirao/
Site de acompanhantes se torna maior patrocinador da Série B do Brasileirão. Lance, 2023. Disponível em: https://www.lance.com.br/lancebiz/mercado-do-esporte/fatal-model-se-torna-maior-patrocinador-da-serie-b-do-brasileirao.html
Fatal Model é a nova patrocinadora máster do time feminino do Vitória. MKT Esportivo, 2025. Disponível em: https://www.mktesportivo.com/2025/04/fatal-model-e-a-nova-patrocinadora-master-do-time-feminino-do-vitoria/
Vitória anuncia acordo com site de acompanhantes para time feminino. Poder 360, 2025. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-sportsmkt/vitoria-anuncia-acordo-com-site-de-acompanhantes-para-time-feminino/#:~:text=A%20parceria%20entre%20o%20Vit%C3%B3ria,a%20parte%20frontal%20da%20camisa
O TEMPO Sports. Vitória viraliza com ação do dia da acompanhante: ‘vamos longe’. 2025. Disponível em: https://www.otempo.com.br/sports/futebol-nacional/vitoria/2025/6/2/vitoria-viraliza-com-do-dia-da-acompanhante-vamos-longe
Fatal Model Blog. Sobre Nós. Disponível em: https://fatalmodel.com/blog/sobre-nos/
*Esta crítica foi produzida como atividade da disciplina Laboratório de Comunicação e Esporte ofertada no semestre 2 de 2025 no Departamento de Comunicação Social da UFMG. A disciplina foi ministrada pela Profa. Ana Carolina Vimieiro.

